segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Apassarei

Vocês perderam o gosto pelo verdadeiro... me deixaram no mar à toa, vislumbrando a paisagem que mergulhou em mim. Não sou mais eu. Não sou o eu; sou o todo. Faço parte de uma imensidão, onde só observo o sol raiar, a chuva cair, o vento soprar, o amor renovar.

Eu não me tenho e não me pertenço. Não tenho um lugar, na verdade. O lugar me procura antes de eu chegar lá. Escrupulosa, sempre continuo navegando por águas profundas, as quais sem não sou ninguém. Nunca fui alguém. Não tenho nome. Sou um registro do passado, o cerne do futuro, o presente do incerto. Meu nome tampouco me importa, se nada me importar. Eu quero chegar, então, à lua, abraçar seu brilho e ser altruísta das carícias da vida.

Quero um amanhecer só pra mim. Quero uma rajada de ventos que perfure meu peito e faça meu coração sorrir. Quero ventar como nunca antes.

Quero ser um pássaro com longas asas, um vôo tranquilo e um canto próprio.

domingo, 28 de setembro de 2014

O Mendigo André



Conheci André com 13 anos. Era o mendigo mais popular da Avenida Jurema, para não falar de Moema. Nesse canto da zona sul, André vagava para lá e para cá com seu bigodinho sujo e bem característico de seu rosto. André era baixinho, pretinho, falava gaguejando, cuspindo. Era engraçado. Parecia de bem com a vida, mesmo morando na rua.
Lá na Avenida Jurema, em cujas calçadas árvores diversas adornavam o cenário, tinha o supermercado referência de moema: Emporium São Paulo. E bem ao lado do supermercado, tinha o Marildo Cabeleireiros, cujo dono era de mesmo nome. Exatamente nessa área, nesse quarteirão que o mendigo André mendigava seus dias, conversava com quem passava, sempre segurando um saco de lixo na mão direita e coçando o pau com a esquerda. André era demais. Falava sozinho, mesmo sendo para lá de "extrovertido" e engraçado.
Passei parte de minha adolescência observando o que o pobre do André fazia em Jurema, afinal, como morava (e ainda moro) na Avenida Jandira, que, por sinal, é pertíssimo da Jurema, ia à pé para lá para fazer compras no mercado. E sim: André sempre estava lá, vagando, com seu bigodinho e seu saco de lixo, falando com Deus e com o mundo. Falando asneiras, baboseiras. Sorrindo um sorriso banguelo, cheio de felicidade. Felicidade de pobre. Um sorriso que contagiava os que já o conheciam, inclusive o barbeiro Marildo, que, um dia, pegou André à força para cortar-lhe a cabeleira suja e cheia de piolhos. Pois não é que o mendigo era pop naquela zona nobre da Grande São Paulo?
André certamente era o mendigo mais popular e carismático de Jurema. André era uma figuraça já! Até o dono do Emporium São Paulo já brincava com ele, chamando-o de "gostosão"! Quem diria, ou melhor, onde já se viu um mendigo causar tanto? Nunca vi... e há muito não vejo. André desaparecera há dois anos. Nunca mais pude ver aquele que tanto foi motivo de risada, de zombação. Afinal, adorava assistir ao André e às coisas que ele fazia. Ele era motivo de alegria. Pelo menos, aos moradores de Moema que o viam, o conheciam e já haviam trocado alguma palavra com ele um dia, porque aquele mendigo era cheio-de-graça, sempre com sorriso estampado no rosto desgraçado.
Ah, como sentia falta dele! Quando vou ao supermercado, não o vejo mais. Aquela rua simplesmente se desalmou. Desamei-a. Porque antes, eu amava aquele canto de Moema, amava ver o André, fazer compras era meu hobby! Mas, hoje... hoje é por acaso. Por acaso faço compras, passo por ali. Aquele lugar ficou indiferente a mim. Não vejo mais graça. Às vezes, dá a impressão de que até o Emporium São Paulo perdeu grande parte da clientela da época do mendigão. Parece que as calçadas ficaram mais vazias. Nunca mais veria a cena do dono do Marildo Cabeleireiros puxar o André para um corte de cabelo. Foi épico!
Se bem que esses dias, por acaso, estava indo ao Emporium São Paulo, quando me deparei com André brincando com um cachorrinho na frente do supermercado. Meu coração disparou! Saudades daquele homem! Onde andava? Não tive tempo para mais nada, coloquei meu braço sobre seu ombro e sussurei:
- Ah, que saudades, André!

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Mar de confissões

Não quero que meu medo seja maior do que minha força de vontade para criar e realizar sonhos. Não quero viver contida em pensamentos e energias obscuras que sublinham minha mente. Não quero. Cansei. Quero ser alguém livre, com sorriso largo e aberto, pronta para viver de forma plena, desconstrangida, viva! Quero ser o sol da minha vida, a lua dos meus desejos e a estrela dourada do meu céu de virtudes, inseguranças, certezas, vivências. Quero viver. Quero me permitir viver e ser feliz. Quero me doar ao próximo e erguer a mão a quem precisar do meu aconchego, do meu carinho, da minha gratidão. Do meu amor. Quero ser amor pro resto dos meus dias. Quero iluminar e ser iluminada. Quero ter ternura e força. Quero viver. Quero viver sabendo o que é a vida. E sua imensidão.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Integração

Arte, filosofia, ciência e religião são os quatro campos a serem desenvolvidos pela sociedade a longo prazo. No entanto, enquanto houver desintegração e dissociação entre essas esferas que moldam o conhecimento alheio, haverá guerra e infortúnios. É imprescindível, ao contrário, o complemento das diversas áreas que compreendem nossas vidas, afim de termos uma formação holística sólida, de fato. Afinal de contas, a felicidade só é possível se integradas as diferenças e suas respectivas nuances.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Linhas Tortas

Tantas coisas acontecem que penso em tudo que deu errado.
Tudo que deu errado e que eu queria consertar.
Tudo o que eu queria era realizar tudo que desejo.
Com ambição, força e perseverança.
Tudo o que eu quero é que o errado seja o certo.
E o certo seja sempre aceitar.
Que Deus escreve bem em linhas tortas.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Determinação

Cansaço. Uma das piores coisas que existem é se sentir cansado, impotente, com preguiça de fazer tudo. Estou me sentindo assim, desde o período em que fui diagnosticada com hipotireoidismo no começo deste ano.
É muito ruim este estado físico e, mais ainda, emocional. Encontro-me frágil diante dos desafios, um tanto tonta também. Preciso, entretanto, achar forças para me reerguer e lutar por meus sonhos. Mais do que isso, preciso de coragem e determinação.

domingo, 8 de junho de 2014

Des(almado) e armado

Vejo quanto brilho e tristeza há por dentro destes olhos. Por que camuflar-se sob um aspecto repugnante e amedrontador? Quando, se precavido, poderia emancipar-se de toda energia negativa que oculta o amor intrínseco à grandeza de sua alma.