Ontem fui assistir pela segunda vez ao filme sobre Olavo de Carvalho. E, por incrível que pareça, gostei mais dessa vez. Não sei se é pelo fato de ter estado menos ansiosa do que há uma semana, quando fui à pré-estreia, até porque é normal ficarmos cheios de expectativa com um filme que estamos aguardando há meses, o que pode, em certa medida, tirar o nosso foco do conteúdo da obra.
A questão é que o filme - ou melhor dizendo, o documentário - mexeu comigo de forma mais patente, a ponto de me emocionar. Com leniência e serenidade no olhar, o protagonista abre as portas de sua casa em Virgínia para revelar e contar um pouco sobre o universo de seus pensamentos e reflexões tão singulares, que variam desde uma concepção filosófico-política a uma perspectiva espiritual que abarca o aspecto religioso, e a sua percepção sobre viver com os pés no chão, em meio à natureza, em meio ao real e transcendental.
Se tem uma coisa, aliás, que Olavo de Carvalho preza é por isto: pela realidade e pelos fatos como eles são. É pelo amor à verdade, pela devoção ao conhecimento e à origem das ideias que o professor trilha seu caminho tão astuta e brilhantemente. Eloquente, autêntico e inspirador, Carvalho nos prova, sem querer, o quanto faz de seu trabalho (que mais parece um lazer, diga-se de passagem) uno com sua vida familiar: a dedicação e o seu envolvimento profissional intenso é o mesmo com que olha e acolhe os seus, seja em um momento descontraído na sala de TV com seus netinhos, ou durante as refeições familiares, cujo espírito de união e fraternidade é sentido sem muitos esforços.
Antonin Sertillanges, teólogo francês e um dos autores que mais instigou o filósofo na busca de um propósito, afirmara que a atividade laboral é parte intrínseca do autodesenvolvimento e da satisfação pessoal. Pelo visto, Olavo de Carvalho não só entendeu a mensagem proferida por Sertillanges, como também tem sido fiel a ela até hoje. E sabem por quê? Porque ele encontrou um sentido em sua vida e constatou que tudo estava interligado. Afinal de contas, a verdadeira maturidade intelectual culmina em uma vida pessoal mais sólida e consistente, a despeito de quaisquer problemas que possam existir.
Para mim, a importância da maturidade intelectual é melhor retratada quando, em uma passagem do filme, o escritor afirma que somos obrigados a escolher entre viver o fútil ou viver algo maior que a própria vida. Ou seja, dentre as várias possibilidades que nos são oferecidas diariamente, o que queremos experienciar? O que é relevante vivenciar de fato? Como e de que forma queremos viver? Viver na superfície a na aparência das coisas, ou viver aceitando os riscos de uma jornada cujo fio condutor é o amor a Deus e, portanto, ao autoconhecimento?
O filósofo fala tanto em prestar atenção nas ideias, e não nas pessoas que as pronunciam, que deve ser por isso que o filme tem como foco não a sua história, mas as coisas que diz. Porém, é inevitável perceber que as ideias de uma pessoa mostram muito quem ela é. Revelam valores, crenças, modo de vida e, sobretudo, modo de ser. E, você, Olavo de Carvalho, querendo ou não, já nos ensinou muito sobre a vida - sobrepujou a vulgaridade do senso-comum, todo tipo de estereótipo e percepção limitada. Você não é meramente um grande filósofo, é também uma pessoa apaixonante e exemplar para todos aqueles que procuram viver de maneira profunda e livre.
quarta-feira, 7 de junho de 2017
sexta-feira, 17 de março de 2017
Relativização e Preconceito
Hoje em dia, percebo o quanto o relativismo pode ser perigoso e nocivo à sociedade. É verdade que algumas coisas são relativas e estão ligadas a um gosto pessoal, como gostar de um certo tipo de música. Mas, isso não significa de forma alguma que, dada uma certa preferência a um estilo musical, seja possível afirmar que este seja superior a outro tipo. Agir assim é "pensar" com emoção, é ser passional.
Dizer que uma música clássica ou uma ópera sejam superiores a uma música popular não é e nem deve ser algo relativo. Além de uma maior complexidade na composição da música clássica, ela possui uma estrutura que compreende o aspecto discursivo como imprescindível à sua apreciação total. Diferentemente da música popular, é necessário prezar por cada detalhe na música clássica para a compreensão e captação desse elemento discursivo, tal como assistir um filme, com começo, meio e fim.
Entretanto, é exatamente o contrário que está acontecendo no Brasil: ao invés de uma análise embasada no conhecimento sobre as várias questões que norteiam nosso dia-a-dia e nossa necessidade de criar reflexões a partir disso, estamos, na verdade, vestindo ares de ignorância com tanto orgulho que acabamos subvertendo toda a racionalidade e a beleza que advém de amplas investigações, estudos e pesquisas sobre um determinado assunto ou tema.
Hoje, por exemplo, você é facilmente tachado de preconceituoso por qualquer coisa que diga ou discorde. Classificar de forma tão irracional e emocional é o novo padrão dos ditos intelectuais, daqueles mesmos que falam tanto em democracia e pluralidade de opiniões - desde que você não contrarie as deles, é claro.
Precisamos, urgentemente, parar com esta estupidez e burrice. Ter critérios e conhecimento é o primeiro passo para saber discernir o achismo do fato. É com critério e conhecimento que conseguimos, minimamente, fazer uma análise justa e coerente sobre as coisas.
Em suma, quem não se permite aplicar e estudar para se desenvolver e ser uma pessoa melhor, vai sempre confundir opinião pessoal com a realidade como ela é - vai ser sempre o que vai tachar de preconceituoso aquele que diz que música clássica é superior a um forró.
Dizer que uma música clássica ou uma ópera sejam superiores a uma música popular não é e nem deve ser algo relativo. Além de uma maior complexidade na composição da música clássica, ela possui uma estrutura que compreende o aspecto discursivo como imprescindível à sua apreciação total. Diferentemente da música popular, é necessário prezar por cada detalhe na música clássica para a compreensão e captação desse elemento discursivo, tal como assistir um filme, com começo, meio e fim.
Entretanto, é exatamente o contrário que está acontecendo no Brasil: ao invés de uma análise embasada no conhecimento sobre as várias questões que norteiam nosso dia-a-dia e nossa necessidade de criar reflexões a partir disso, estamos, na verdade, vestindo ares de ignorância com tanto orgulho que acabamos subvertendo toda a racionalidade e a beleza que advém de amplas investigações, estudos e pesquisas sobre um determinado assunto ou tema.
Hoje, por exemplo, você é facilmente tachado de preconceituoso por qualquer coisa que diga ou discorde. Classificar de forma tão irracional e emocional é o novo padrão dos ditos intelectuais, daqueles mesmos que falam tanto em democracia e pluralidade de opiniões - desde que você não contrarie as deles, é claro.
Precisamos, urgentemente, parar com esta estupidez e burrice. Ter critérios e conhecimento é o primeiro passo para saber discernir o achismo do fato. É com critério e conhecimento que conseguimos, minimamente, fazer uma análise justa e coerente sobre as coisas.
Em suma, quem não se permite aplicar e estudar para se desenvolver e ser uma pessoa melhor, vai sempre confundir opinião pessoal com a realidade como ela é - vai ser sempre o que vai tachar de preconceituoso aquele que diz que música clássica é superior a um forró.
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sábado, 6 de agosto de 2016
Redescoberta
Faz um tempo, tenho vivido à luz de minha própria sombra. Sem saber o que fazer; sem saber para aonde ir. Fico frustrada, ansiosa para me libertar desta fase de isolamento e recolhimento. Mas, não é o momento. Não estou no momento de decidir nada, de fazer coisa alguma se eu não quero. Se eu não quero fazer. Simplesmente porque não posso me forçar a acelerar o rumo das coisas se eu não consegui digerir tudo que me aconteceu; tudo que estou sentindo. A tristeza me encontrou quando eu menos esperava. As descobertas e as dúvidas vieram para me dizer que eu não sei tudo. Que nem tudo vai acontecer como eu quero ou quando eu quero. Talvez leve um tempo... talvez este tempo nem mesmo chegue.
No entanto, aqui estou eu, mergulhada em nostalgia e angústias por não saber o que eu devo fazer. Uma vez, disseram-me que mesmo a falta do saber é um caminho escolhido, pois nem sempre temos a capacidade de decidir por nós: às vezes, é melhor deixar que o tempo aja e nos traga as respostas para as nossas dúvidas.
Aprendi que não sou uma máquina com dois botões. Vou além do "sim" e do "não". As dúvidas são como o caminho do meio de Buddha; elas vêm para mostrar que há luz na escuridão e que há escuridão na luz. Ao contrário do que se pensa, as dúvidas são aliadas e grandes parceiras dos novos desafios, porque o medo do desconhecido nada mais é do que a dificuldade em decidir.
Reconheço que, à luz de minha própria sombra, tenho aprendido muitas coisas e refletido sobre muitas outras. No entanto, não me venha dizer que tenho prazos para decidir pelo "sim" ou pelo "não". Eu não quero e nem posso decidir nada no momento, simplesmente porque não é o momento. O momento, agora, é de silêncio. Prefiro que o tempo me mostre o caminho. E, enquanto isso, vou caminhando para um caminho incerto, com tudo que estou sentindo, sem jogar fora os sentimentos sombrios que residem em mim.
Só não quero que me forcem a decidir pelo "sim" ou pelo "não", pois o que está em jogo no momento é o momento mais magnífico da minha vida: o da redescoberta.
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terça-feira, 29 de março de 2016
Relações Portaria x Solo de Guitarra
Sinto muito em dizer, pois eu sinto em saber que está faltando um solo de guitarra em nossas vidas.
Isso mesmo: um solo de guitarra. Um solo de guitarra é um momento intenso e singelo, em que nossas emoçōes, sentimentos e pensamentos estão à flor da pele - nós nos debulhamos em lágrimas e vivemos, intensamente, absortos naquela melodia musical.
E, sim, estamos sóbrios. Não estamos bêbados, não estamos procurando uma válvula de escape. Simplesmente queremos viver o momento, ao vivo e a cores; lúcida e verdadeiramente. O que sinto, porém, é a ascensāo desenfreada do que eu chamo de "relações portaria".
As "relações portaria" são as relações efêmeras que desenvolvemos com as pessoas, de forma cada vez mais frequente e abundante. Não temos mais tempo para fazer visitas e apreciar o cafezinho fresquinho sendo jorrado naquela xícara especial para o convidado da tarde. Não. Hoje mandamos o recado pelo porteiro ou, simplesmente, passamos na portaria e deixamos nossa "lembrancinha de aniversário", nossa "presença enrustida".
Pois a Presença (com P maiúsculo), sinto dizer, é algo envolvente, algo quente. É o olho-no-olho, é o abraço apertado, os beijos de saudade e a manifestação do corpo, da alma e do espírito ao vivo, aqui e agora. Eu sinto falta da Presença, embora esteja começando a entender que na maior parte de meu tempo estive ausente em muitas coisas. E hoje, estou plena, estou Presente na minha vida.
Peço, de verdade, que se permitam ouvir um solo de guitarra. É fascinante! Eu ouvi muito - e ainda ouço - e continuarei ouvindo por muito, muito tempo. É um amor de alma. É de coração. Eu espero que não seja tarde demais para começarmos a mudar este paradigma insosso e superficial no qual estamos, tristemente, inseridos.
Que não seja tarde demais para descobrirmos que podemos ser muito mais do que servidores do comportamento ausente, egoísta e frágil de nossos tempos modernos "globalizantes". Que consigamos transpor as barreiras limitantes do medo, da insegurança e da falta e construamos relações de amor, de afeto, de carinho e não relações portaria ou porcaria, se assim posso dizer.
Isso mesmo: um solo de guitarra. Um solo de guitarra é um momento intenso e singelo, em que nossas emoçōes, sentimentos e pensamentos estão à flor da pele - nós nos debulhamos em lágrimas e vivemos, intensamente, absortos naquela melodia musical.
E, sim, estamos sóbrios. Não estamos bêbados, não estamos procurando uma válvula de escape. Simplesmente queremos viver o momento, ao vivo e a cores; lúcida e verdadeiramente. O que sinto, porém, é a ascensāo desenfreada do que eu chamo de "relações portaria".
As "relações portaria" são as relações efêmeras que desenvolvemos com as pessoas, de forma cada vez mais frequente e abundante. Não temos mais tempo para fazer visitas e apreciar o cafezinho fresquinho sendo jorrado naquela xícara especial para o convidado da tarde. Não. Hoje mandamos o recado pelo porteiro ou, simplesmente, passamos na portaria e deixamos nossa "lembrancinha de aniversário", nossa "presença enrustida".
Pois a Presença (com P maiúsculo), sinto dizer, é algo envolvente, algo quente. É o olho-no-olho, é o abraço apertado, os beijos de saudade e a manifestação do corpo, da alma e do espírito ao vivo, aqui e agora. Eu sinto falta da Presença, embora esteja começando a entender que na maior parte de meu tempo estive ausente em muitas coisas. E hoje, estou plena, estou Presente na minha vida.
Peço, de verdade, que se permitam ouvir um solo de guitarra. É fascinante! Eu ouvi muito - e ainda ouço - e continuarei ouvindo por muito, muito tempo. É um amor de alma. É de coração. Eu espero que não seja tarde demais para começarmos a mudar este paradigma insosso e superficial no qual estamos, tristemente, inseridos.
Que não seja tarde demais para descobrirmos que podemos ser muito mais do que servidores do comportamento ausente, egoísta e frágil de nossos tempos modernos "globalizantes". Que consigamos transpor as barreiras limitantes do medo, da insegurança e da falta e construamos relações de amor, de afeto, de carinho e não relações portaria ou porcaria, se assim posso dizer.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
Aceitação
Não. Não agora. Não depois de tudo que aconteceu. Antes da ansiedade me matar, eu a matarei. Não vou deixar que esta dosagem a mais de sofrimento ansioso leve tudo por água abaixo. É difícil controlar a ansiedade, é verdade. Mas, mais difícil ainda é adotar uma postura de resiliência - parece que a submissão pela ilusão do medo é sempre maior.
Percebi, pelo menos, que não dá mais para ficar no mesmo lugar: ou eu habito um lugar de suavidade no meu coração, ou eu viverei uma eterna fantasia. Exatamente. Fantasia. Sofrer e não aceitar que algo precisa ser mudado é o mesmo que permanecer desperto em um mundo fantasioso. Ninguém está aqui para não viver senão a realidade que, há muito tempo, habita em nós. E a realidade é uma só: o instinto de mudança rumo a um lugar sagrado, de paz, de comunhão com o próximo.
Todos merecemos o caminho da felicidade e é o único caminho verdadeiramente possível para vivermos realmente. O resto nada mais é do que uma criação utópica do que seja felicidade. A felicidade não é e nunca foi algo utópico; do mundo das princesas da Disney. Ela já existe e está a sua espera desde sempre. Ela só precisa que você olhe para ela dentro do seu coração.
terça-feira, 3 de novembro de 2015
Tempos profanos
Vivemos tempos profanos, perecíveis, efêmeros. Tudo é passageiro. Nada é para sempre. O homem tem pressa para ser feliz; não se satisfaz com pouco. Procura preencher seus dias na esperança de estar bem, feliz ao final do dia.
Por que é necessário estar bem, mesmo? Faço essa pergunta todos os dias para mim. Enquanto não atribuirmos sentido às nossas vidas, não há necessidade de almejarmos algo. De conseguir algo. Sendo assim, nem é preciso reclamar sobre as eventuais circunstâncias ou acontecimentos que norteiam nosso viver.
É fácil querer. No entanto, é difícil o reconhecimento. Reconhecer a vida e, principalmente, a si mesmo enquanto ser humano em eterna evolução. Costumo dizer que existem indivíduos e não seres humanos, porque estes só existem em um mundo utópico, até então. Os indivíduos, na verdade, não estão preocupados com o outro, senão com si mesmos.
E é justamente a formação de indivíduos - e não de seres humanos - que a sociedade prega e padroniza. E, em meio a tantos estereótipos, seguimos a maré sem saber ao certo aonde estamos indo... aonde queremos chegar.
Por isso, antes de sair criticando a vida, olhe para si mesmo. Quem é você, mesmo? O que você procura? Quando começar a se valorizar, tenho certeza que conseguirá ajudar o próximo e lhe estender a mão. Idealizamos tanto e fazemos pouco. Pedimos muito e moderamos ao agradecer.
Não sei desde quando começamos com esta ideia de egoísmo, egocentrismo e todos os egos da vida. Só sei que, enquanto não conseguirmos nos emancipar de tudo que nos aprisiona e nos prende, jamais conheceremos este estado de "bem" que tanto procuramos por aí. E, talvez, nem seja preciso procurar tanto aquilo que só precisamos sentir.
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sexta-feira, 25 de setembro de 2015
Despidos de amor
Hoje, ao levantar, me senti pronta. Mesmo com sono, dei o primeiro passo: agradeci a Deus por mais um dia, por mais uma oportunidade. Era de coração, pois alimentava minha alma e meu espírito de esperança. Sentia uma vibração em tudo que via à minha volta - desde as pequeninas folhas rasgadas à mais bela borboleta amarela que aparecia pelo meu quintal, esbanjando um voo cheio de vitalidade. Gostava das borboletas amarelas: sua cor, além de ser da tonalidade do sol, representava a alta conexão mental com o plano divino. Até porque a cor amarela simbolizava a reflexão linear; o raciocínio de uma forma criativa. E a borboleta, por mais pequena que fosse, me transmitia criatividade e acolhimento assim como a mais forte e calorosa penetração de um raio solar sob a pele.
Tudo, afinal de contas, estava interconectado: nós não vivemos mera e casualmente uma vida qualquer. Nós não vivemos ao acaso; nós vivemos todos juntos, embora nossas mãos ainda estejam separadas pelos muros colossais concebidos pelo julgamento incessante do outro. E quem era o outro, afinal de contas? O outro era a borboleta amarela, a formiga, a planta adoecida pela falta de chuva. O teu próximo era toda a humanidade. E a humanidade abarcava todos os seres, mesmo os inanimados como as rochas de lindas praias paradisíacas. Mesmo, ainda, aquele bichinho de pelúcia que você cultivava na sua infância por longos e extensos anos.
Você, um dia, já foi uma criança: já acreditou em um mundo de sonhos e fantasias, rodeado de anjos, de bruxas, de fadas madrinhas. E agora, já crescido, você vive uma vida sustentada pela concretude das coisas. Seu mundo, se antes colorido à la Faber Castell em 120 tons, hoje é descartado como uma simples folha de papel rabiscada à caneta. Não havia mais encanto em sua vida. E toda aquela ingenuidade, que outrora você tinha quando garoto, deixou de existir pela simples conversão da magia em loteria.
Sim, magia em loteria, já que, quase sempre, subordinamos nosso ser, corpo, mente e espírito às necessidades materiais, condicionadas pelo poderio proporcionado por um maior número de bens. Assim, ao invés de ajudarmos ao outro e a nós mesmos, por meio de práticas de autoconhecimento e valorização de toda a forma de vida, ansiamos por estar a frente de alguém; ser melhor do que outro indivíduo. Sim, outro indivíduo. Porque, ao meu ver, a palavra ser humano já não mais faz sentido em uma sociedade que perdeu a fé na humanidade. E hoje não mais uma borboleta ganha visibilidade, mas a quantidade de animais que conseguimos predar.
Mas, apesar dos pesares, eu continuo acreditando em tudo que sinto. Eu continuo tendo fé na humanidade, porque eu me encontrei e encontrei sentido em minha vida. E é por isso mesmo que agradeço todos os dias à Deus pela oportunidade de compartilhar. Pela chance de comungar com o outro tudo que faz parte de mim e tudo que alimenta a natureza. Pois, no final das contas, somos todos um.
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quinta-feira, 17 de setembro de 2015
A esperança e a morte
A esperança é a última que morre, diz o ditado.
A esperança é a última morte, diz a menina.
A esperança será a última morte, porque todos os dias, morremos um pouco. Morremos uma pequena morte dentro de nós. Transformamo-nos e morremos. Vivemos. Morremos de novo e renascemos. E quando a esperança morrer, tenha certeza de que você também morrerá. Literalmente. Porque a esperança é o amor que temos por nós mesmos. E quando já não conseguir se amar mais, você deixará este corpo e partirá para uma nova vida, do outro lado do mundo.
Você é esperançoso(a)? Ou você nutre a morte por você? O que você contempla? A luz ou a sombra? Jamais se esqueça, antes de mais nada, que aonde há vida, há morte. E a morte vive em você, todos os dias. Só não deixe que a morte seja maior do que a vida que existe em você. Senão, a esperança, assim como a flor, murchará do dia para a noite. E, assim como a flor, você deve regar todos os dias o amor que existe em você.
A esperança é a última morte, diz a menina.
A esperança será a última morte, porque todos os dias, morremos um pouco. Morremos uma pequena morte dentro de nós. Transformamo-nos e morremos. Vivemos. Morremos de novo e renascemos. E quando a esperança morrer, tenha certeza de que você também morrerá. Literalmente. Porque a esperança é o amor que temos por nós mesmos. E quando já não conseguir se amar mais, você deixará este corpo e partirá para uma nova vida, do outro lado do mundo.
Você é esperançoso(a)? Ou você nutre a morte por você? O que você contempla? A luz ou a sombra? Jamais se esqueça, antes de mais nada, que aonde há vida, há morte. E a morte vive em você, todos os dias. Só não deixe que a morte seja maior do que a vida que existe em você. Senão, a esperança, assim como a flor, murchará do dia para a noite. E, assim como a flor, você deve regar todos os dias o amor que existe em você.
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quarta-feira, 26 de agosto de 2015
A parte boa da morte
Li uma vez que a morte é a passagem para a luz. Nós saímos do nosso corpo para um estado pleno de consciência. E, quando morremos, vamos ao encontro de nossos mestres superiores que nos mostrarão, em poucos minutos, uma compilação dos principais episódios de nossa vida, por meio de um pequeno "filme". E o "filme", por incrível que pareça, é rápido. Dura pouquíssimos minutos.
Após o término do filme, nossos mestres nos perguntam se conseguimos alcançar nossa missão nesta vida. Como somos seres que vivem em um plano espiritual plenamente conscientes de quem nós somos, conseguimos, sem hesitação alguma, responder-nos se cumprimos com a tarefa que nos foi dada. Se a resposta for sim, ótimo. Mas, caso seja não, ótimo também. Ainda há tempo de, na próxima reencarnação, cumprirmos com nossas pendências. Nunca é tarde.
O aprendizado é infinito, porque nós somos seres de luz que já morreram no plano material. Sim, estamos mortos desde que nascemos. E a explicação para isso, segundo a curadora Barbara Brennan, é recorrente do fato de não nos lembrarmos de quem nós somos. Nós viemos para este plano para justamente lembrarmos um pouco de nossa essência e, assim, ser viável a possibilidade de nos conhecermos, um pouco que seja, ao longo da misteriosa trilha da vida.
É por isso que não podemos, de forma alguma, desistir de quem nós somos. À nós cabe as infinitas possibilidades de autorrealização, de amor, de plenitude e de encantamento. Se a vida é sinônimo de morte, que façamos da vida a morte que nos revigora a cada nascer do sol. Que não tenhamos medo de morrer e nascer no dia seguinte. Que nos permitamos viver a cada dia com mais curiosidade, com mais vontade de aprender e de tornar-nos mestres de nossas vidas.
Portanto, se viemos à vida com a finalidade de resgatarmos pequenas partes de nós já esquecidas pelo tempo, que consigamos cumprir nossa missão sem medo de errar, sem medo de arriscar. Pois, somos todos vitoriosos e reinamos no mundo celestial: Deus nos aguarda, mas, até que isso aconteça, não deixe de despertar o seu Deus interior.
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terça-feira, 11 de agosto de 2015
Mãos de Luz e a função dos chakras
- Chakras: centros de energia que ativam o bom funcionamento de todos os órgãos do organismo.
- Para que haja um bom funcionamento do organismo, todos os chakras precisam trabalhar harmoniosamente, em uma direção equivalente a dos ponteiros do relógio.
- A obstrução de qualquer um dos chakras prejudica o fluxo equilibrado de energia do corpo. Além disso, a obstrução influi em problemas e distúrbios psicológicos.
- Existem sete chakras ao longo do corpo. Todos eles possuem um lado frontal e dorsal.
- O primeiro chakra relaciona-se com a coluna vertebral e os rins. É a região em que a sensação de estar vivo e "presente" é plena. Remete a nossa viviência física, material. Pés no chão. O segundo chakra relaciona-se com o sistema reprodutor. É a região em que estão imersos nossos desejos mais íntimos relacionados com o prazer sexual e carnal. O terceiro chakra relaciona-se com o estômago, fígado, vesícula biliar e sistema nervoso. É a região em que estamos conectados com a reflexão mental. O quarto chakra relaciona-se com o coração, um canal para nossos sentimentos, como amor, felicidade, tristeza e ódio. O quinto chakra relaciona-se com o aparelho brônquico e vocal, na área da garganta. É a região em que estamos conectados com nossa força mental, o poder transformador de nossos pensamentos e palavras. O sexto chakra relaciona-se com nosso cérebro inferior e sistema nervoso. Região ligada ao nosso poder espiritual e ao amor divino, que transcende o plano físico. O sétimo chakra relaciona-se com nosso cérebro superior. Região ligada ao amor e compreensão plenos, em que o mundo físico e espiritual se harmonizam e se integram.
- Uma das formas de ativar os chakras é através da meditação. A meditação possibilita a abertura de todos os chakras e a transmutação de energia de um canal para outro.
- Além da meditação, um bom exercício para ativar os chakras é massagear os músculos do corpo no sentido horário. A energia, desta forma, flui de forma gostosa e benéfica à boa saúde corporal e mental.
- É importante notarmos que cada pessoa funciona em um tempo e espaço distintos. Como diria Einstein, em sua Teoria da Relatividade, cada pessoa tem um tempo e um espaço certo para agir. Ningúem está errado. Cada pessoa está certa, pois a cada um foi dado o livre arbítrio para fazer aquilo que lhe é certo e que faz sentido em um determinado período e situação da vida. Todos nós funcionamos de maneiras distintas, e nossos corpos também.
- Nossa mente é uma extensão de nosso corpo. Tudo que pensamos, cremos e fazemos influi na dinâmica e no fluxo de energia corporal.
- Desta forma, nossos pensamentos influem em nossas ações que, por conseguinte, direcionam nosso estado de saúde. Se tivermos pensamentos bons, com boas vibrações, seremos mais fortes fisicamente. Se cultivarmos energias ruins, seremos mais suscetíveis à doenças.
- É possível realizarmos aquilo que desejamos, por meio da técnica da visualização. A técnica da visualização pode ser utilizada na meditação e ela é uma facilitadora na concretização de nossos desejos. Quanto mais energia eu direciono, mentalmente, mais ela é direcionada ao plano físico.
sexta-feira, 7 de agosto de 2015
A perfeição existe
Hauri todas as possibilidades e cheguei à seguinte conclusão: queremos receber; dar que é bom, não. O ser humano é um bicho complexo demais para tentar desvendar todos os mistérios que o cercam. Por isso, acredito, às vezes, que nos é inútil o pensar incessante de certas nebulosidades e maravilhas misteriosas que só Deus, ou uma força mágica, nos concebeu. Vale tanto a pena, assim, filosofar tardes e tardes pensando por que, afinal, uma cadeira é uma cadeira, como o faz o intrigante e eloquente filósofo Nietzsche?
Hoje, vivemos um verdadeiro paradoxo: estamos tão exaustos, cansados na ânsia descontrolada e desenfreada de consumir mais e mais imagens, informações e conteúdos, que não queremos pensar em mais nada. Desejamos, ao contrário, meditar horas e horas ao lado de belas e energizantes cachoeiras interioranas. Por que não? Faria tão bem ao nosso espírito! E o pior não é saber disso, é saber o quão impotentes e frágeis nos encontramos nos dias de hoje.
Sim. Frágeis. Qualquer coisa parece nos derrubar. Somos suscetíveis às mais variadas doenças a todo e qualquer instante. Por isso, penso que nada em excesso é bom: não devemos nos prender e criar utopias acerca da finalidade real de nossa existência, tampouco viver debaixo desta superficialidade que emerge, com tamanha intensidade, da era da iconofagia.
Devemos, ao contrário, ser uma ponte entre a terra e o céu. Receber tão quanto conceder. E, sobretudo, nos calar nos mistérios divinos que coroam a magnitude do universo. E do ser humano.
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quinta-feira, 28 de maio de 2015
Entrelinhas
- O que você quer da vida, menina?
- Eu? Bem, eu quero apenas uma coisa...
- O que?
- Eu mesma.
- Eu mesma.
Sim. Essas foram as palavras da garota, cujo nome não tem muita importância neste instante... porque ela falava com todos e para todos. Ela gostava muito dos pequenos detalhes da vida: ela inspirava a respiração aconchegante que seu anjo da guarda lhe proporcionava. Ah, como era bom apreciar minuto-a-minuto seu dia, pois suas tardes, regadas de imaginação e plenitude, a faziam preencher as páginas de sua história com todas as sete cores do arco-íris.
E ela se sentia cada vez mais viva e pró-ativa. Reconstituir a esperança que se vai a cada choro amargurado pela falta de amor. Ela não se dava por vencido, não dava o braço a torcer, pois percebia que a vida era tão imensa, intensa e cheia de si mesma, que a felicidade nada mais era do que um encontro com nossa instância superior: Deus.
Quando falava de Deus, falava de uma força interna. Algo misterioso, místico, encantador e transcendente. O elo com a divindade era eterno, sábio e silencioso - já que o trabalho maior era realizado internamente, dentro de cada um, na busca do aprimoramento de nossa essência e consciência.
Por isso, a guria, tão ansiosa e cheia de luz, sentia-se feliz, porque estava, finalmente, entendendo que a felicidade é um processo em eterna construção. E, por isso, ela transcende a morte.
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segunda-feira, 18 de maio de 2015
Minha vizinha é um mistério
Minha vizinha, do prédio da frente, é um mistério. A janela do meu banheiro dá de frente para um prédio velho e largo. No sexto andar deste prédio encontro a mulher enigmática - todas as noites, invariavelmente, sempre a vejo passando de um lado para o outro. Aparentemente, ela veste um avental branco e seus cabelos, sempre presos.
E agora você deve estar se perguntando "tá, mas e daí???" Muitas pessoas têm hábitos em horários específicos do dia, etc. Mas a questão é: aquela janela, pequenininha, que avisto do meu toilete, está sempre, SEMPRE, aberta. E o mais esquisito é que as luzes também estão sempre acesas - até mesmo de madrugada. E é justamente isto que me assusta. A vizinha anda para lá e para cá de madrugada. Sim. De madrugada. Eu, que tenho o costume de dormir tarde e, por vezes, acordar pela madrugada, já me deparei com essa cena milhões de vezes. Às quatro da matina, ela está ali, como se fosse um espírito vagando por um quarto. E a janela semi-aberta até mesmo nos dias de frio.
Confesso que vivo caçando perguntas que me dão coceira na cabeça. Pode ser falta do que fazer, sim. Falta do que pensar... ou até mesmo excesso de pensamento que tenho. Na verdade, sempre pensei muito até não conseguir respirar mais e apelar para minhas orações. Mas é justamente essa falta de leveza na minha mente que me faz reparar em coisas um tanto banais, pois só assim posso me distrair um pouco.
E como diria a escritora deste blog, "quem muito vive sufocado acaba se embrulhando em um papel, com um lápis e uma borracha".
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segunda-feira, 20 de abril de 2015
O CÉREBRO DE BUDA: Neurociência prática para a felicidade
Fichamento por Juliana Taouil
O cérebro comanda nossas ações e deve estar em harmonia com a mente. Devemos direcionar nossos pensamentos àquilo que queremos, com foco e determinação.
"A base da compaixão é a compaixão por si mesmo" - Poma Chödrön. Ou seja, devemos nutrir compaixão, acima de tudo, por quem nós somos, do jeito que somos. Nos aceitar em toda nossa magnitude e plenitude. Se quisermos ajudar alguém, devemos, antes, ajudar a nós mesmos para, assim, conseguirmos, de fato, acolher o outro com a sinceridade e entrega de quem busca conhecer a si mesmo.
A autocompaixão, assim, ajuda-nos a sofrer menos e a enxergar a vida com menos ameaças.
Mesmo quando não estamos nos nossos melhores dias, devemos lembrar-nos de situações ou experiências que nos remetem a boas lembranças. Assim, conseguimos canalizar um campo de energia positivo a nossa volta, por menor que ele seja.
Então, quando vier pensamentos ruins à tona, pensemos em alguma coisa boa que aconteceu conosco em algum dia de nossas vidas para inibirmos a ação daquele pensamento negativo em nosso cérebro, mente e corpo.
É importante compartilharmos experiências ou acontecimentos difíceis e/ou desagradáveis que ocorreram conosco com outras pessoas, pois nos ajuda a aliviar a tensão emocional e até mesmo física.
Técnicas de relaxamento se fazem, também, necessárias para bloquearmos o trânsito de pensamentos negativos em nosso cérebro. Uma das formas de relaxamento mais comuns é o sentir e o tocar nos nossos próprios corpos, massageando alguns músculos, como os da face, dos ombros, dos braços, das pernas e dos pés.
A prática de meditação também é outra maneira de anularmos situações estressantes e estimularmos o fluxo e distribuição de energia positiva em todo o nosso organismo. A meditação, entretanto, requer alguns requisitos básicos:
a) Devemos manter a coluna erecta ou encostada em alguma superfície que alinhe nossa coluna. Podemos, até mesmo, deitarmos na cama (desde que a coluna esteja reta);
b) Devemos manter os olhos fechados durante a meditação, a fim de nos desligarmos das múltiplas conexões que estabelecemos com o mundo quando estamos de olhos abertos;
c) Não podemos cruzar as pernas ou as mãos durante a atividade, pois, ao fazermos isso, estamos criando uma malha que bloqueia o fluxo de energia pelo corpo;
d) Podemos ou não colocar uma música relaxante durante a atividade; é algo opcional.
e) Durante a meditação, é importante que sintamos nossa respiração: o inspirar e o expirar devem ativar um estado de consciência de nossa existência no mundo.
f) Ao respirarmos, no mínimo 30 (trinta) vezes, conseguimos atingir um mínimo patamar do estado de neutralidade da mente.
g) Durante a meditação, é ainda rico criarmos um ambiente e/ou um cenário fantasioso em nossa mente, no qual devemos projetar uma situação em que estamos rodeados de pessoas queridas em algum lugar tranquilo que possa nos oferecer paz e harmonia. Isso estimula nosso campo vital e nossa pró-atividade para realizarmos aquilo que almejamos.
Para continuarmos na busca pelo equilíbrio da mente, devemos reconhecer, também, nossos medos para, assim, podermos combatê-los. E, às vezes, a melhor forma de combatermos nossos "fantasmas" é deixá-los nos adentrar sem precisarmos lutar contra eles, pois uma hora eles vão embora, já que tudo na vida é passageiro.
Assim, se permitirmos não só o reconhecimento das coisas boas, mas também das coisas que nos atormentam, podemos, com maior facilidade, tornar-nos seres mais empáticos e equânimes dentro de nossa plenitude e complexificação.
A equanimidade, neste contexto, só consegue ser atingida quando trabalhamos, diariamente, nosso senso de entrega e completude, e a completude nada mais é do que estarmos receptivos a todos os desafios da vida a que estamos sujeitos, aceitando todos os prós e contras das mais diversas situações que passamos.
Portanto, o alcance de um estado equânime da alma, ou seja, um estado harmonioso d'alma, em equilíbrio, só é possível por meio de práticas de autodesenvolvimento, como a meditação. Trabalhamos, assim, a elevação da mente, do corpo e do espírito, para sermos seres capazes de compreendermos que devemos nos entregar àquilo que fazemos de corpo e alma, mas dentro de um limite intrínseco a cada um de nós, abnegando, ao mesmo tempo, o excesso - que é algo que vai além dos nossos limites e capacidades.
Como diria o sociólogo e filósofo Zygmunt Bauman, a cada um de nós foi feito um mundo perfeito.
E, para conseguirmos atingir um estado de equilíbrio da alma, devemos nos aceitar em toda nossa magnitude, integrando todas as nossas características a nossa máxima personalidade.
Por assim dizer, devemos integrar o lobo do amor ao lobo do ódio: ou seja, para sermos seres íntegros e perfeitos, devemos acoplar nossos pontos positivos e emoções boas aos nossos pontos negativos e emoções ruins. Pois só assim, podemos nos permitir sermos quem somos de fato, trabalhando harmoniosamente todas as nossas características, aplicando-as devidamente e de acordo com as circunstâncias.
Devemos, portanto, acolher o lobo do ódio também, porque é através do reconhecimento do nosso "lado negro" que podemos trabalhá-lo para o bem e para o seu bom uso.
domingo, 14 de dezembro de 2014
Desa(Sossego)
Guardara uma estrela em sua memória. Seu brilho era tão intenso, que toda vez que abria a janela, se deixava ofuscar e dispersar em mil e um pensamentos. Deveria parar. Nenhum vício é bom, muito menos ficar preso a si mesmo. Não queria ficar atordoada a sós: por vezes, sua mente era um lugar escuro, onde era possível se perder diante da sensibilidade ingrata e apaixonante da lua.
Ah, a lua... ela era sinistra - era um elo entre sua mente e seu coração. A lua a desesperava, pois era enigmática demais, assim como tudo que vinha e preenchia aquele des(encanto) de menina. Por isso, tinha um medo prazeroso de encarar a vida em toda sua magnitude.
E por mais que doesse a inquietude de sua alma, sentia uma necessidade de se recolher junto às montanhas tibetanas e voar pelo céu com seus mil e um pensamentos.
Ah, a lua... ela era sinistra - era um elo entre sua mente e seu coração. A lua a desesperava, pois era enigmática demais, assim como tudo que vinha e preenchia aquele des(encanto) de menina. Por isso, tinha um medo prazeroso de encarar a vida em toda sua magnitude.
E por mais que doesse a inquietude de sua alma, sentia uma necessidade de se recolher junto às montanhas tibetanas e voar pelo céu com seus mil e um pensamentos.
segunda-feira, 6 de outubro de 2014
Apassarei
Vocês perderam o gosto pelo verdadeiro... me deixaram no mar à toa, vislumbrando a paisagem que mergulhou em mim. Não sou mais eu. Não sou o eu; sou o todo. Faço parte de uma imensidão, onde só observo o sol raiar, a chuva cair, o vento soprar, o amor renovar.
Eu não me tenho e não me pertenço. Não tenho um lugar, na verdade. O lugar me procura antes de eu chegar lá. Escrupulosa, sempre continuo navegando por águas profundas, as quais sem não sou ninguém. Nunca fui alguém. Não tenho nome. Sou um registro do passado, o cerne do futuro, o presente do incerto. Meu nome tampouco me importa, se nada me importar. Eu quero chegar, então, à lua, abraçar seu brilho e ser altruísta das carícias da vida.
Quero um amanhecer só pra mim. Quero uma rajada de ventos que perfure meu peito e faça meu coração sorrir. Quero ventar como nunca antes.
Quero ser um pássaro com longas asas, um vôo tranquilo e um canto próprio.
Eu não me tenho e não me pertenço. Não tenho um lugar, na verdade. O lugar me procura antes de eu chegar lá. Escrupulosa, sempre continuo navegando por águas profundas, as quais sem não sou ninguém. Nunca fui alguém. Não tenho nome. Sou um registro do passado, o cerne do futuro, o presente do incerto. Meu nome tampouco me importa, se nada me importar. Eu quero chegar, então, à lua, abraçar seu brilho e ser altruísta das carícias da vida.
Quero um amanhecer só pra mim. Quero uma rajada de ventos que perfure meu peito e faça meu coração sorrir. Quero ventar como nunca antes.
Quero ser um pássaro com longas asas, um vôo tranquilo e um canto próprio.
domingo, 28 de setembro de 2014
O Mendigo André
Conheci André com 13 anos. Era o mendigo mais popular da Avenida Jurema, para não falar de Moema. Nesse canto da zona sul, André vagava para lá e para cá com seu bigodinho sujo e bem característico de seu rosto. André era baixinho, pretinho, falava gaguejando, cuspindo. Era engraçado. Parecia de bem com a vida, mesmo morando na rua.
Lá na Avenida Jurema, em cujas calçadas árvores diversas adornavam o cenário, tinha o supermercado referência de moema: Emporium São Paulo. E bem ao lado do supermercado, tinha o Marildo Cabeleireiros, cujo dono era de mesmo nome. Exatamente nessa área, nesse quarteirão que o mendigo André mendigava seus dias, conversava com quem passava, sempre segurando um saco de lixo na mão direita e coçando o pau com a esquerda. André era demais. Falava sozinho, mesmo sendo para lá de "extrovertido" e engraçado.
Passei parte de minha adolescência observando o que o pobre do André fazia em Jurema, afinal, como morava (e ainda moro) na Avenida Jandira, que, por sinal, é pertíssimo da Jurema, ia à pé para lá para fazer compras no mercado. E sim: André sempre estava lá, vagando, com seu bigodinho e seu saco de lixo, falando com Deus e com o mundo. Falando asneiras, baboseiras. Sorrindo um sorriso banguelo, cheio de felicidade. Felicidade de pobre. Um sorriso que contagiava os que já o conheciam, inclusive o barbeiro Marildo, que, um dia, pegou André à força para cortar-lhe a cabeleira suja e cheia de piolhos. Pois não é que o mendigo era pop naquela zona nobre da Grande São Paulo?
André certamente era o mendigo mais popular e carismático de Jurema. André era uma figuraça já! Até o dono do Emporium São Paulo já brincava com ele, chamando-o de "gostosão"! Quem diria, ou melhor, onde já se viu um mendigo causar tanto? Nunca vi... e há muito não vejo. André desaparecera há dois anos. Nunca mais pude ver aquele que tanto foi motivo de risada, de zombação. Afinal, adorava assistir ao André e às coisas que ele fazia. Ele era motivo de alegria. Pelo menos, aos moradores de Moema que o viam, o conheciam e já haviam trocado alguma palavra com ele um dia, porque aquele mendigo era cheio-de-graça, sempre com sorriso estampado no rosto desgraçado.
Ah, como sentia falta dele! Quando vou ao supermercado, não o vejo mais. Aquela rua simplesmente se desalmou. Desamei-a. Porque antes, eu amava aquele canto de Moema, amava ver o André, fazer compras era meu hobby! Mas, hoje... hoje é por acaso. Por acaso faço compras, passo por ali. Aquele lugar ficou indiferente a mim. Não vejo mais graça. Às vezes, dá a impressão de que até o Emporium São Paulo perdeu grande parte da clientela da época do mendigão. Parece que as calçadas ficaram mais vazias. Nunca mais veria a cena do dono do Marildo Cabeleireiros puxar o André para um corte de cabelo. Foi épico!
Se bem que esses dias, por acaso, estava indo ao Emporium São Paulo, quando me deparei com André brincando com um cachorrinho na frente do supermercado. Meu coração disparou! Saudades daquele homem! Onde andava? Não tive tempo para mais nada, coloquei meu braço sobre seu ombro e sussurei:
- Ah, que saudades, André!
sexta-feira, 22 de agosto de 2014
Mar de confissões
Não quero que meu medo seja maior do que minha força de vontade para criar e realizar sonhos. Não quero viver contida em pensamentos e energias obscuras que sublinham minha mente. Não quero. Cansei. Quero ser alguém livre, com sorriso largo e aberto, pronta para viver de forma plena, desconstrangida, viva! Quero ser o sol da minha vida, a lua dos meus desejos e a estrela dourada do meu céu de virtudes, inseguranças, certezas, vivências. Quero viver. Quero me permitir viver e ser feliz. Quero me doar ao próximo e erguer a mão a quem precisar do meu aconchego, do meu carinho, da minha gratidão. Do meu amor. Quero ser amor pro resto dos meus dias. Quero iluminar e ser iluminada. Quero ter ternura e força. Quero viver. Quero viver sabendo o que é a vida. E sua imensidão.
terça-feira, 12 de agosto de 2014
Integração
Arte, filosofia, ciência e religião são os quatro campos a serem desenvolvidos pela sociedade a longo prazo. No entanto, enquanto houver desintegração e dissociação entre essas esferas que moldam o conhecimento alheio, haverá guerra e infortúnios. É imprescindível, ao contrário, o complemento das diversas áreas que compreendem nossas vidas, afim de termos uma formação holística sólida, de fato. Afinal de contas, a felicidade só é possível se integradas as diferenças e suas respectivas nuances.
sexta-feira, 11 de julho de 2014
Linhas Tortas
Tantas coisas acontecem que penso em tudo que deu errado.
Tudo que deu errado e que eu queria consertar.
Tudo o que eu queria era realizar tudo que desejo.
Com ambição, força e perseverança.
Tudo o que eu quero é que o errado seja o certo.
E o certo seja sempre aceitar.
Que Deus escreve bem em linhas tortas.
Tudo que deu errado e que eu queria consertar.
Tudo o que eu queria era realizar tudo que desejo.
Com ambição, força e perseverança.
Tudo o que eu quero é que o errado seja o certo.
E o certo seja sempre aceitar.
Que Deus escreve bem em linhas tortas.
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